O Peixe


A menina tinha que cuidar do peixe por uma semana. A vizinha tinha viajado. Tudo o que a menina faria era dar comida uma vez ao dia. Nem trocar a água – ela disse. Mas, mesmo assim, a menina trocou.

Às vezes, parava com a cara na frente do aquário e ficava olhando o peixe. Pobre serzinho de vida limitada a um pequeno aquário, a servir de enfeite. O peixe assustava: Eita monstro sinistro de quatro olhos! Mas agora ele se acostumou. E a menina chegou até a pensar que o peixe gostava da companhia dela. Se sentia menos enfeite, mais ser vivo.

Então ela sentava no sofá, olhava como a sala era grande, olhava o peixe no aquário. O peixe, dono de vinte centímetros de água. E pensar que ele um dia teve um oceano...

6 Recados:

Lucas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas disse...

o aquário está para o peixe como o corpo está para a alma

Pri disse...

Interessante esse texto!
Sempre quis terum áquario, mas sei que vou esqecer de por comida. Acho que não só esquecerei de alimentá-lo, como esquecerei de sua existência, pois o peixe não late, não pia, não tem um som com que ele possa dizer: "ei, estou aqui". enfim, acho que aquario é pra quem é mais sensivel aos gestos.

Pri disse...

aquário**

Rodrigo disse...

Quantos não somos os peixes que vivemos dentro dos nossos aquários, nossas prisões internas?!

É preciso soltar o peixe, assim como precisamos nos libertar dos nossos aquários, pois a vida é muito mais do que isso. Ela é um oceano...

Rafa disse...

"Eita monstro sinistro de quatro olhos! Mas agora ele se acostumou."


é engraçado que quando queremos ou somos obrigados nos acostumamos a tudo!