Moradia


Cada dobra do meu corpo tem cheiro de mar
Porque meus ossos estão pintados de vermelho
Ascendo teus olhos
Provocando meus dedos, comendo minha mão com sal
Ajoelho-me diante do altar dos diabos
Dentro da minha boca ele dança

Poderia ser qualquer outro corpo, mas é da tua boca que quero lubrificar teu sono
Uma língua e minha santidade humilhada
Nada mais pedi... que não fosse uma língua
Suplício discreto onde meu corpo pede paz e pede guerra

A cada sussurro o delírio o gozo:
O desejo descontrolado de pintar imagens
Desenho em tua cabeça uma mulher nua arreganhada em seus jardins
Teu fluído canta por todos os meus pêlos
Vasculho com a língua o fluído do outro, e vasculho saídas
A língua queria desenhar ali, completa, escorrendo pelos cantos o gosto
A língua consentiu com o gozo

Devagar, bem devagar entre...
Adentre a única cavidade do grande devaneio
Lubrifico em meus dedos as entidades mais explícitas
Dança em tudo que preciso
Movimentos trêmulos, suados
Após o gozo a sensação perdura
Os músculos tornam-se vazios como as ondas
Teus olhos transam com minha íris
No útero do céu, o brilho escorre pelas coxas
Tua rua é um rio de orgasmos.

10 Recados:

Juliana Passos disse...

Uau...rs nossa! Forte,exalando sensibildade.
Dá vontade de largar td e ir fazer amor...ahahah
Muito bom msm Nat!
Beijos!

M. D. Amado disse...

"Devagar, bem devagar entre...
Adentre a única cavidade do grande devaneio
Lubrifico em meus dedos as entidades mais explícitas"

Maravilhoso texto. Sensibilidade, prazer e liberdade.

Parabéns menina! (cada vez mais seu fã)

araujoviana disse...

"Poderia ser qualquer outro corpo, mas é da tua boca que quero lubrificar teu sono"...
LINDO DEMAIS....

Luis Claudio disse...

Tua escrita ferve! De arrepiar dos pés a cabeça...rs

Liza disse...

a moradia é sempre a mesma, mas inesgotável.
essa moradia pode até ter tido um princípio, ou ter dado num fim, mas ela existe em si mesma. e não deixa de existir e de dizer alguma coisa. mas essa coisa é a moradia em si e não o princípio ou o fim dela mesma, que são apenas partes, e partes descartáveis.

era sobre isso que eu falava quando olhávamos aquele quadro.

era um texto como este seu poema que eu gostaria de ter escrito quando este tema foi escolhido pela primeira vez. mas sou uma pessoa muito evidente e bruta para falar de sexo tão delicadamente e elegantemente.

resumindo: adorei!

Carlos Fontana disse...

Nego-me a dizer algo além de: maravilhoso!

Pietro disse...

o pensamento nunca está sozinho do sentimento

Leonardo Pezzella disse...

Ehhh, realmente não sobrou muita coisa a ser comentada. De fato, muito bom...

Pode-se dizer que é de deixar água na boca...!!!

Parabéns!

Tatiana disse...

Intensidade sobrando aqui heim?!
Delícia de se ler...amei!

Débora Andrade disse...

Realmente.. está exalando sensualidade e sensibilidade... Mas, gente... Onde estão os outros? Não tenho praticado o ato em si... portanto... preciso me fartar nas palavras!!! (risos!!!)