Rigor Mortis




Morte em vida já o era
Infeliz partida solitária
Da casa velha de móveis avermelhados
Ausentou-se de si a pequenina
Covarde é não partir pra ver como é...
Foi-se sem deixar recomendações
Decompôs sua essência perturbada
Decompôs seu corpo jovial

Descompasso e abandono daquele que fez-se ternura
Tomaram dois minutos talvez, latejar de todo pensar conquistado
Cessa ar, fôlego da vida
Partem células
Caminha o sangue, somos todos brancos
Rigor mortis de sua antiga fortaleza
Algor mortis de seu falecido desejo
Exala final, expele descomeço
Gusanos aliados de tua ausência
Abandono de teus cabelos loiros
Arranca esses olhos cinzas
Sugam a pele branca
Banquete da antiga fartura

Não a acolheram anjos
Não a importunaram demônios
Era maracatu do Seol
Era o nada inexistencial
Completo vazio a preencher o silêncio

Parto de partidas suicidas
Era rua Men de Sá 380
Coagiram a morte em goles
Masturbou toda putrefação
As pálpebras cerradas frustram expectativas
Amparou-se frente a despedida cotidiana
Enterrou mágoas
Ressurgiu recomeço
Feto de novo ciclo
Da próxima vez serei outra.

6 Recados:

Carlos disse...

"Ressurgiu recomeço
Feto de novo ciclo
Da próxima vez serei outra".

Total entendimento à morte interna!
Sutil e marcante!

Liza disse...

"Covarde é não partir pra ver como é..."

a coragem pra se nadificar, jogando fora tudo o que é, para outrar-se novo. morte e vida, uma coisa.

8)

e vc ainda me perguntou se o q vc escreve se encaixa aqui né... tá até melhor do o que já foi escrito...

seja bem-vinda.

Natacia Araújo disse...

Brigada pessoal!
"Feto de um novo ciclo..."

Espero contribuir com a intenção inicial deste blog!
Beijos a todos!

Bia disse...

Caramba! Tô arrepiada, amei...amei...amei....td o trajeto da morte em dois ângulos...amo quando escreves com significados e conclusões "multiplas" dá uma vida ao texto enorme!

araujoviana disse...

"Não a acolheram anjos
Não a importunaram demônios
Era maracatu do Seol
Era o nada inexistencial
Completo vazio a preencher o silêncio"

lindooooo ...remete a paz ou apenas a plenitude do fim...nos deixando enfim...livres..
simplismente maravilhoso.......

M. D. Amado disse...

Simplesmente sem palavras. Não sei o que comentar aqui para ficar a altura do texto.

Apenas agradeço por ter me dado a oportunidade de ler algo assim.

Parabéns!
Beijos horripilantes