Planeta Anão



[Parte 1]

Tendo nascido na era auto-ajuda, Marina se sentia enjoada perto daquele tipo de pessoa que sempre tinha uma frase feita na ponta da língua para levantar o astral nos momentos de tristeza. A tristeza é boa, ela pensava. Se nunca tivesse ficado triste, não saberia o que é alegria. Se nunca tivesse tido uma foda ruim não saberia até hoje o que é uma foda boa. Marina agradecia em segredo a cada foda ruim que teve. Fazia isso mentalmente e baixinho enquanto esperava o ônibus chegar.

[Parte 2]
E se existisse uma resposta astrológica para tudo? Marina odiava astrologia. Era capricorniana e soltava vômitos múltiplos quando diziam que capricornianos são sérios e responsáveis. Será que só ela percebia que data é uma coisa inventada da mesma forma que o Papai Noel e o coelhinho da Páscoa? Como separar pessoas pela data do nascimento e dizer que fulano é legal porque nasceu dia 20 de abril e Mariquinha é nojenta porque não nasceu algumas horas antes, quando a lua ainda era cheia e a ursa maior ia de encontro às três marias? Marina pensava nas besteiras astrológicas que já tinha ouvido ali parada olhando para aquele babaca que queria explicar o fim do namoro dela culpando seu ascendente. Rafael – o nome do babaca.


*Trechos do romance "Planeta Anão"

1 Recados:

Débora disse...

Muito bom, Liza! Mas.. sinto que Marina e eu não seríamos boas amigas! rs