Até o fim

Eu não consigo descrever a dor que senti e que ainda sinto. O sofrimento me fez abrir os olhos para diversas coisas das quais antes eu não podia ver. Hoje sou uma nova pessoa, com novos pensamentos. Lamento não poder me tornar uma velha pessoa.

Eu olho para meu reflexo e não me reconheço. Meu cabelo mudou, meu rosto mudou e minha voz mudou completamente – isso quando consigo ouvi-la. Mas fico feliz por ter mudado minha forma de pensar e de ver as coisas. Meus amigos sempre me trazem sorrisos, esperança e conforto. Neles encontro a força que, algumas vezes, falta em mim. É neles que vejo um motivo para continuar batalhando, continuar lutando. Continuar vivendo.

Vejo no rosto dos meus pais o orgulho de ter suportado todas as dores pelas quais eu passei até hoje. Vejo em seus sorrisos a gratidão e vejo em suas lágrimas a saudade que já incomoda. Mas eu ainda não parti, ainda não. Mesmo tendo que re-aprender a respirar... eu ainda estou aqui.

As luzes já perturbam os meus olhos, mas continuo sendo abençoado pelos sorrisos, pelos gestos e toques. Não me passa pela cabeça querer desistir, eu já cheguei até aqui e não irei olhar para trás. Seria muito fácil deixar tudo de lado, mas eu escolhi fechar os meus olhos e respirar. Inspirar, expirar, viver, até o final da batalha. Até o final.

Não lhes digo que estou satisfeito, mas estou contente por ter chegado até aqui. Eu sei que seria fácil desistir, mas eu não farei isso. Chegarei até o final e até lá, irei respirar. Alimentando-me dos sorrisos eu seguirei em frente e não irei mais olhar meu reflexo. Aquele não sou eu.

Você pode se aproximar e chorar, lamentar o que está acontecendo comigo, mas não precisa se comover, eu estou bem, estou vivo. Inspirando, expirando... respirando. Venha até mim, dê-me um abraço, mostre-me um sorriso e lhe mostrarei que isso é o bastante para que eu continue até o final. Eu não deixarei de acreditar, não deixarei de lutar até que a luz se torne escuridão.

Aproxime-se, não consigo falar tão alto como antes. É difícil falar quando se faz um tremendo esforço para respirar. Não tema, o meu mal não irá alcança-lo; irei leva-lo comigo, até o fim. Inspirando e expirando... até o fim, respirando.

Estou definhando, a dor me tira lágrimas e mesmo cercado de sorrisos eu sinto muita dificuldade para manter a força de semanas atrás. Continuo lutando, e não deixarei de respirar. Não queira passar pelo que estou passando, não queira amenizar meu sofrimento com lágrimas e não queira me acompanhar quando eu deixar de inspirar, ou expirar.

Fecho os olhos, poupo energias e concentro a força para manter minha respiração e para me manter consciente. Não desistirei; vou persistir. Hoje sou uma nova pessoa, com novos pensamentos. Lamento não poder me tornar uma velha pessoa. Foi passando por isso que eu comecei a acreditar; foi só agora, que comecei a enxergar. Só hoje sei que cheguei aqui porque lutei. E eu lutei.

Beije minha testa, deite-se ao redor dos meus braços, dê-me alguns sorrisos. Alimente-me com essa fonte que irá prolongar a minha força. Não deixarei as luzes se apagarem, eu irei continuar vivo. Segure minha mão, fique comigo, pois continuarei aqui. Não direi adeus.

Inspirando, expirando. Respirando, até o fim... Até o fim.

4 Recados:

M. D. Amado disse...

Uma palavra: Sublime.

Davi Leitão disse...

Muito bom Leonardo, do começo até o fim.


PS. E os três porquinhos?

Débora disse...

AMigo, Léo!! UMa pena ter o fim... porque dá vontade de ficar lendo sem fim...

Natacia Araújo. disse...

Sempre com um ângulo marcante em cada texto.
Adorei!