Grave!

É engraçado sair a noite, ver o agito dos bares, casas noturnas e restaurantes. Meus amigos são muito solidários e nunca me deixaram de fora de nenhuma dessas badaladas noites de farra. Mulheres lindas dançam. Eu flerto com elas, mas me mantenho alheio da pista de dança. Fico com minha bebida gelada na mão, o pé e a cabeça balançando suavemente de acordo com o grave que faz tremer os copos e garrafas. O grave faz tremer o meu peito!

As garotas pensam que sou tímido, mas a verdade é que eu sou na minha. Confesso que uma vez ou outra, tento roubar um beijo, mas isso não é freqüente. Algumas mulheres se aproximam, jogam o seu charme e eu hesito. Sorrio, troco olhares, mas fico no meu canto.

Sou modesto, mas deixarei a modéstia de lado para dizer que sou um cara atraente. Minha franja jogada, meu sorriso sedutor e meu olhar frio fazem um tremendo sucesso. Esse sucesso faz algumas garotas chegarem em mim. Mas as únicas que provaram do meu beijo foram aquelas que chegaram e me beijaram. As outras, pulei fora. É terrível dizer, mas pulei fora.

O final da noite é sempre o mesmo: meus amigos tirando sarro de mim por sair zerado da balada. Eu não ligo, pois sei que eles estão apenas brincando. São irmãos de verdade dos quais jamais encontrarei igual. Eles não sabem como é, mas fazem idéia.

Adoro a noite e adoro sair para baladas. A música eletrônica é a minha religião. Não tente me levar para um forró, um samba ou show de rock, pois em todos esses lugares eu vou sentir a falta do grave.

Algumas noites, mesmo com o som bem alto da balada, fico pra baixo. Difícil encontrar alguém que não se anime com a música, afinal, é algo que nos faz bem. Mas mesmo assim, eu entristeço em alguns momentos. E isso acontece sempre quando as músicas não têm grave. Quando isso acontece, os copos não vibram. O meu peito não vibra. Quando isso acontece, eu não sinto a música.

Você não faz idéia de como é triste nunca ter ouvido o som de qualquer coisa. Você não imagina como é viver sem nunca ter ouvido música... Eu não posso ouvir, apenas sentir. E é por isso que, para eu estar bem e para a música ser boa, essa música tem que ter grave! Só assim, serei capaz de sentir a música.

3 Recados:

M. D. Amado disse...

O que parecia ser uma narrativa comum do cotidiano, no final se revela um desabafo que beira o drama.

Muito bom Léo!

Débora Andrade disse...

Sempre guardando o GRAN FINALE!!!

Adorei, Léo... E, mais uma vez, já estava julgando arrogante o tom... quando me vem o tapa na cara com luvas de pelica! rsrsrs

Maiara disse...

Gostei muito Leo! E novamente você surpreende no final!!!