O Timbre
















Os lábios agora quase disseram. Nem ódio ou mágoa, apenas um grande vazio nos corredores. E a imaginação tão real perseguia seu cheiro na tentativa de dispersar saudades.
Os dias explodindo em cada fresta torturando em protesto a latente vontade de desistir.
A fé devia estar escondida em algum canto do quarto. Percebia uma inevitável volta, insatisfeita e faminta.
Entre nós, cada um em uma parte de existência da qual não se compreende. E assim mesmo, o que mais fazia falta era sentir o corpo estremecido com a vibração de sua voz.
Teu timbre era uma aula. Entranhado em cada poro meu.
A garganta queimando enquanto vivo em muitos lugares na tentativa de parar o que não termina por dentro. Descobrindo que não há verdade além do estraçalhado aqui e lá.
E o fantasma ainda sussurrando em delírio no corredor. A voz distante marcada avulsa. Projetando uma simplicidade que dói. Nossas conversas entrecortadas e mais uma vez desconhecidas.
Ao longo da noite, extremos que estranhamente me recordo. E se você não compreendesse o que escrevo, esconderia sob os lençóis o desejo pintado por todo o corpo. E então saberia.
Se fosse pra exprimir a verdade maior de dentro do peito, veria que todos estão tão perdidos quanto nós.
Estou humana, mastigo nossas sementes para que a lembrança permaneça.

3 Recados:

Débora disse...

Como todo perdão da palavra, mas.... CARALHO!!!
Nat... vc está cada dia melhor! Nossa... lindíssimo!! Parabéns!

Edina Regina Araújo disse...

Simplismente lindo natacia ...parabéns!!!

Roberto disse...

Diaba das letras! rs Demais Nat, cada dia melhor, mais pulsante,mais sonora,mais indomesticável e talentosa!
Parabéns pelo lindo texto e por toda versatilidade.