PRIMAVERA


Nascem as flores que não foram sementes minhas.
As cores em tons de rosa e vermelho carmim nada indicam. São apenas cores de flores. Nada destoa em tons.
No máximo, o violeta que, também, nada indica.
Sem muitas razões, as flores existem e multiplicam-se.
São mais belas em cada primavera que chega com seu ar de graça.
Não há razões para que as cores se misturem no ramalhete de rosas que pintam cores no meu dia. Mas eu invento. Sempre invento. E de tudo faço verdades minhas.
E o tempo que me circunda de rosas e me faz febril... são anseios que me correm presos ao que não falo, porém, sinto.
As cores bordam tuas palavras que não são ditas e eu leio nos teus olhos as verdades que nascem nos meus sonhos quase reais.
Mais uma vez, tomo posse da magia que me permito viver e faço deste dia que nasce primavera, dia meu, flores minhas, cores nossas.
Não preciso que ditem nada e nem que me dêem datas. Há tempos me permito ser noite ou dia, conforme a lógica ou a falta de lógica de tudo que tenho e sinto.
Primavera. E para todas as flores que nascem, espeta um espinho nos meus versos.
Dores e amores nunca deixarão de rimar.

O que somos?

Nos momentos em que ficamos sozinhos e em silêncio é que começamos a pensar e a imaginar hipóteses. Começamos a criar teorias e raciocinar a respeito de teorias que vão muito mais além da imaginação ordinária de um ser humano.
Começo a imaginar se não somos máquinas. Sei que soa estranho e um tanto quanto contraditório, mas estou começando a acreditar nisso. Imagino que somos produtos de uma grande corporação onde nossas retinas já foram registradas, nossos perfis rotulados e nosso comportamento estudado. A cada momento, a cada situação nós somos testados e avaliados.
Seja no limite da dor física ou no limite da dor psicológica. Seja na solução de um problema, ou na superação de um ato heróico. Seja suportando um turbilhão de acontecimentos ruins ou na calmaria de uma vida monótona, onde nada acontece.
Acredito que tudo que vemos e ouvimos servem como microfones e vídeo câmeras para denunciar aquilo que a pessoa – ou nesse caso, a máquina – ao lado está fazendo. Mas ainda não compreendo como podemos ser avaliados quando estamos sozinhos, sem ninguém por perto. Talvez um sistema de leitura de pensamentos. Por mais que a máquina humana seja uma das coisas mais grandiosas e precisas já colocadas na Terra, ainda acho que existe uma tecnologia maior, àquela que nos controla e nos estuda. Àquela da qual nos expõe ao nosso limite; que nos testa de uma forma impiedosa, mesmo quando não temos mais forças para seguir adiante.
Outra possibilidade da qual eu não creio muito, é da que seria o ser humano um Deus. Um ser incrivelmente poderoso capaz de se colocar em situações extremas, sem mesmo se dar conta que sua própria vontade é, apenas, se testar. Somos capazes de raciocinar em velocidade superior a qualquer processador já desenvolvido. Nossos olhos enxergam cores da qual nenhuma máquina fotográfica é capaz de reproduzir. Nosso organismo é capaz de atuar, sem sequer notarmos, contra qualquer coisa que venha ameaçar a nossa saúde. Nossa existência permanece incontestável diante da incrível e intolerante força da mãe natureza. Nós somos seres superiores e nem mesmo sabemos ou nos damos conta disso.
Mas é possível que tudo isso tenha sido implantando em nossas mentes pela organização da qual retêm nossa patente. Sendo assim, podemos ser apenas fantoches ou ratos de laboratório de um propósito muito maior àquele que imaginamos. Fico sentado em meu quarto olhando ao meu redor e pensando nisso. Sei que em um caso podemos nos danificar ou sermos substituídos por algo mais avançado, e sei que por outro lado, podemos perder nossas forças se não tivermos nossa própria crença. Fico me questionando e tentando entender o que realmente somos. Máquinas ou Deuses?

A visão dos problemas

Eu abro os olhos mas não vejo nada. Giro meu corpo a procura de alguma imagem, mas só consigo enxergar a escuridão. Não importa o quanto eu pisque, ou quanto eu esfregue os meus olhos... Eu não consigo ver! Volto a me deitar, e assim que apóio minha cabeça no travesseiro, eu sinto uma lágrima escorrer. Não posso ver, mas ainda posso chorar.
A porta do quarto se abre, fico em silêncio. Você acaricia meu rosto e beija minha testa - que beijo doce. Você nota minhas lágrimas e suavemente sussurra em meu ouvido:
- Estou ao seu lado meu amor!
Meu Deus, como aquelas palavras me tocaram. No mesmo instante eu abri meus olhos, e mesmo sem ver eu sorri.
Espantada, e ao mesmo tempo feliz, você me abraçou e agradeceu por eu estar acordado.
Acariciei o seu rosto e disse:
- Eu daria a minha vida para ver o seu sorriso mais uma vez!
Mas você delicadamente cobre meus lábios com um beijo, e em seguida, responde:
- E eu daria o meu sorriso para que não perdesse a vida...
Naquele dia, percebi que eu não precisava enxergar. Pois eu tinha a certeza de que a pessoa que eu precisava, estava ao meu lado me abraçando, me mostrando que podemos viver e que podemos sorrir... Mesmo tendo problemas, e mesmo sem enxergarmos os problemas, nós podemos ser felizes.

O Timbre
















Os lábios agora quase disseram. Nem ódio ou mágoa, apenas um grande vazio nos corredores. E a imaginação tão real perseguia seu cheiro na tentativa de dispersar saudades.
Os dias explodindo em cada fresta torturando em protesto a latente vontade de desistir.
A fé devia estar escondida em algum canto do quarto. Percebia uma inevitável volta, insatisfeita e faminta.
Entre nós, cada um em uma parte de existência da qual não se compreende. E assim mesmo, o que mais fazia falta era sentir o corpo estremecido com a vibração de sua voz.
Teu timbre era uma aula. Entranhado em cada poro meu.
A garganta queimando enquanto vivo em muitos lugares na tentativa de parar o que não termina por dentro. Descobrindo que não há verdade além do estraçalhado aqui e lá.
E o fantasma ainda sussurrando em delírio no corredor. A voz distante marcada avulsa. Projetando uma simplicidade que dói. Nossas conversas entrecortadas e mais uma vez desconhecidas.
Ao longo da noite, extremos que estranhamente me recordo. E se você não compreendesse o que escrevo, esconderia sob os lençóis o desejo pintado por todo o corpo. E então saberia.
Se fosse pra exprimir a verdade maior de dentro do peito, veria que todos estão tão perdidos quanto nós.
Estou humana, mastigo nossas sementes para que a lembrança permaneça.

Pegando no ar!

Sentado aqui, ali, ou até mesmo do lado de lá. Não importa onde o nosso traseiro esteja repousando, é incrível como podemos absorver conhecimentos e informações.
Nossa mente, mesmo depois de um dia cheio, que nos faz voltar para casa cansados e esgotados, pensando apenas em tomar um banho gelado e cair na cama, ainda é capaz de estar pronta, a ponto de bala, eu diria, para absorver informação e conhecimento.

Nosso HD mental é infindável e incansável. É claro que nossa mente, em alguns momentos se esgota e nossos pensamentos se fecham para tudo e todos. Mas, só se quisermos. Caso contrário, nossa mente vai absorver informação de uma forma absurda, como se fosse um verme faminto, engulindo tudo que vê pela frente.

Estou aqui, ali e até mesmo do lado de lá. Estou longe de casa, cansado e pensando em milhões de coisas. Mas basta olhar para o lado, ou apenas escutar uma outra pessoa falando e estarei aprendendo coisas das quais nem mesmo sonhei.

Não importa o lugar, não importa como... O que importa é que a informação circula no ar, só precisamos aprender a inspirá-la... Consumi-la.