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Ser arte


E eu me expresso...
Com dores, com amores, sem rumores...
Sem dores, sem amores, sem rumores...
Eu me expresso...

E arte me faz poetisa...
E a poesia me faz arte...
Faço de mim música...
Faço de mim poesia...

As palavras, sem medidas, me transformam em texto.
Interpreto, sou interpretada...
Analiso, sou analisada.
Mas, me expresso...
Faço da folha quase um impresso de mim mesma.

Eu falo...
Eu canto...
Às vezes, encanto...
Mas ouso a ser arte...
Pretensiosamente, me faço!

Entorpeço, embebedo e me alivio de mim.
A palavras são tecidas como panos de fundo do que sinto...
Os sentimentos, servem como base do que crio...
Do que às vezes minto...
E as palavras decoram as paredes do meu quarto, nunca vazio.

Visão, audição, paladar, olfato, tato...
Sentidos aguçados...
Sentidos despertados...
Arte que me invade, me enlouquece, me arrasta, me liberta...

Me faça qualquer coisa...
Me faça arte...
Arte de ser alguma coisa...

Vivo... e me faço viva em você...
Porque sou parte...
Parte do mundo... parte da arte.

Artista


"Ele chuta a bola
e quebra meu vaso.
Está sempre aprontando alguma,
e por isso me atraso.

Pede batata frita,
hamburguer e salgadinho.
Mas ele desaparece quando eu grito:
Hora do 'bainhooo'!

Não faz nenhuma lição,
e só pensa em brincar.
Chega em casa coberto de lama,
e com pique para aprontar.

Não adianta dar castigo,
nem mesmo sermão.
Já tentei contar até três,
e até descer a mão.

Ele é incorrigível,
Mesmo assim, meu coração não se parte.
A mãe sempre ama seu filho,
mesmo ele só fazendo arte!"

Sacia-me


Início da pintura:

Uma folha costurando os contornos, fruto da colheita poética. Na boca, poléns (dai-nos um pouco mais do vermelho), fuxicos coloridos.
Momentos em que Deus mostra nossas costuras, só pra se ouvir dizer: - Da arte queremos também o verso! Um desses sonolentos, atrevidos, temperados de insanidade.
Todos os pincéis-borrados.
- Pensamos não inspirar.
Escrevemos o que a nós não pertence. (Adentrem na pimenta de nossos verbos mais sarcásticos).

Olhamos para o chão e não suportamos a idéia de ter pés fincados em um branco tão desbotado.
Já estes versos do artista, são sempre errantes. Mas, a arte em si tem formas de nuvens presas. (Soam vôos absurdos).
Diante da arte, nesta roupagem pálida, conformo-me em ser um “nada”.
- Não há injustiça maior que justificar um artista atrofiado.

A arte é umbigo do ventre terra que nos pariu.
-Deixo de interpretar paisagens.Somos apenas o palco da obra.
Abra mão de significados cultos e ocultos. Consagra-se arte em incompreensão calada.
A arte fica exposta na eternidade que sempre reinventamos. Arte exposta: - visitantes de nós mesmos.

Os versos estão entranhados nos dedos. Frio: manifesto-Esculturas indefinidas. –Não compreendemos possíveis olhares.
- Pintamos quando o retratado eclode.
- Decodifique arte. Ânsia do encanto poético-humano.
Todas as artes emergindo das indefinições. Se não vemos o amarelo, tampouco criamos o verde.
Ainda assim, estamos acesos.

Estar vivo é um estado de arte.

O grande artista guarda o sol no sono. E se escreve, escreve no vento.
Doce beijo vira prosa.
A arte, por vezes nos pega no colo, mostrando-nos os grandiosos caminhos subjetivos.
Traduz transcendente em movimentos artísticos no qual nosso espírito pelo infinito dançou.

Arte definida é violação.

A arte grita: - Sacia-me!
O tesão que o outro sente, agrada ou enoja.
A arte ferve: São de palavras que arrepio.
Os poetas sofrem de um tédio aparente, de uma ansiedade criativa.

A arte não poupa papéis. Antes, renova-se em madeira, amor e aço.
Diante de certos olhos, os papéis pouco dizem. Mas, estes poetas escrevem no escuro.
Felizes os que não prevêem nada. Estabelecendo a imprevisibilidade da arte.
A arte rompe as rédeas que não lhe pertencem.

Atemporal. Abraça quem a estiver contemplando.

Por vezes, encurva-se para ninguém ver. Esta que pincelada ganhará a tonalidade única que lhe garante o direito de ser poluída por deuses ferozmente humanos.

- Não nasci para ser entendida. Resmungou a arte.