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Já não estou





















Indefinida ida
Instigante e confusa
Instantaneamente expelido
A incapacidade dos músculos conduz a expectativas irreais
Programo-me para não amar
Dá-me rotas, pois estou doente de razão
Amei um homem humano
Corro em pedaços enjoados do que restou
A sensação de fuga é desconfortável
Eu já não estou
Permeio a penúltima curva
Sigo sem saída
Nós dois numa queda
Ele não entende minha língua
Além de qualquer caminho há volta
Preparo o imprevisível
Todas as promessas derramadas
Que não me faltem ruas, pois preciso preparar os ânimos...
Amanheci sem conhecer o dia
Encontro-me em despedida
O que ainda me prende?
Nunca me preparo...
Meu amor sobrepõe minha astúcia
Tua bondade é tua loucura
Vou sugar bocas vazias resfriando nossas dores
Segues...
Agora, sei que isso vai passar
Dona de sonoras saudades
Adeus. Me encontra.

Meu Adeus sem o Teu (Te reencontro)


Quando o Sol brilhante imponente fazer nascer o dia e uma nuvem branca pairar a sombra para o seu refrescar...Saiba que meu sopro suave provocou o vento que levou a nuvem até você...


Quando a chuva suave te molhar a face e resfrescar o sorriso...
Podem ser minhas lágrimas tentando de alguma forma te tocar...
Se amanhã nascer uma criança, um sonho ou uma flor...
Estarei presente também no olhar de encanto, no teu pranto e no teu amor.
Se não estou aqui, é porque precisava partir para te amparar.
Eu cuido do teu sono...Seguro tuas mãos... E estamos juntos.
Quando o teu peito sentir o queimor da saudade,
Ou teus olhos chorarem a dor do meu adeus...
Saiba que em mim reina o desejo de te fazer sorrir...
E por isso, breve farei com que uma lembrança doce te faça suspirar.
Não pude ficar... Precisei partir...
Sem poder te amar tudo o que havia para amar.
Meu amor é maior que minha vida.
Não coube nos meus dias.
Precisava de mais espaço.
Guardo todo amor para nosso reencontro.
Quando nossas almas se entrelaçarão embaladas pelo som da eternidade.
Enquanto não nos vemos,
Enquanto não nos temos...
Não julgue, não condene, não conclue.
Também vivi momentos de dor que quase me fizeram perder a fé.
Mas existem flores azuis aqui no jardim.
Prepare-se. Não te levo. Mas te espero.
Há um laço que estreita nossos planos.
Seja na sorte ou seja na morte.
Vamos nos reencontrar.
Não há vida ou morte que me impeçam de te amar.

Até o fim

Eu não consigo descrever a dor que senti e que ainda sinto. O sofrimento me fez abrir os olhos para diversas coisas das quais antes eu não podia ver. Hoje sou uma nova pessoa, com novos pensamentos. Lamento não poder me tornar uma velha pessoa.

Eu olho para meu reflexo e não me reconheço. Meu cabelo mudou, meu rosto mudou e minha voz mudou completamente – isso quando consigo ouvi-la. Mas fico feliz por ter mudado minha forma de pensar e de ver as coisas. Meus amigos sempre me trazem sorrisos, esperança e conforto. Neles encontro a força que, algumas vezes, falta em mim. É neles que vejo um motivo para continuar batalhando, continuar lutando. Continuar vivendo.

Vejo no rosto dos meus pais o orgulho de ter suportado todas as dores pelas quais eu passei até hoje. Vejo em seus sorrisos a gratidão e vejo em suas lágrimas a saudade que já incomoda. Mas eu ainda não parti, ainda não. Mesmo tendo que re-aprender a respirar... eu ainda estou aqui.

As luzes já perturbam os meus olhos, mas continuo sendo abençoado pelos sorrisos, pelos gestos e toques. Não me passa pela cabeça querer desistir, eu já cheguei até aqui e não irei olhar para trás. Seria muito fácil deixar tudo de lado, mas eu escolhi fechar os meus olhos e respirar. Inspirar, expirar, viver, até o final da batalha. Até o final.

Não lhes digo que estou satisfeito, mas estou contente por ter chegado até aqui. Eu sei que seria fácil desistir, mas eu não farei isso. Chegarei até o final e até lá, irei respirar. Alimentando-me dos sorrisos eu seguirei em frente e não irei mais olhar meu reflexo. Aquele não sou eu.

Você pode se aproximar e chorar, lamentar o que está acontecendo comigo, mas não precisa se comover, eu estou bem, estou vivo. Inspirando, expirando... respirando. Venha até mim, dê-me um abraço, mostre-me um sorriso e lhe mostrarei que isso é o bastante para que eu continue até o final. Eu não deixarei de acreditar, não deixarei de lutar até que a luz se torne escuridão.

Aproxime-se, não consigo falar tão alto como antes. É difícil falar quando se faz um tremendo esforço para respirar. Não tema, o meu mal não irá alcança-lo; irei leva-lo comigo, até o fim. Inspirando e expirando... até o fim, respirando.

Estou definhando, a dor me tira lágrimas e mesmo cercado de sorrisos eu sinto muita dificuldade para manter a força de semanas atrás. Continuo lutando, e não deixarei de respirar. Não queira passar pelo que estou passando, não queira amenizar meu sofrimento com lágrimas e não queira me acompanhar quando eu deixar de inspirar, ou expirar.

Fecho os olhos, poupo energias e concentro a força para manter minha respiração e para me manter consciente. Não desistirei; vou persistir. Hoje sou uma nova pessoa, com novos pensamentos. Lamento não poder me tornar uma velha pessoa. Foi passando por isso que eu comecei a acreditar; foi só agora, que comecei a enxergar. Só hoje sei que cheguei aqui porque lutei. E eu lutei.

Beije minha testa, deite-se ao redor dos meus braços, dê-me alguns sorrisos. Alimente-me com essa fonte que irá prolongar a minha força. Não deixarei as luzes se apagarem, eu irei continuar vivo. Segure minha mão, fique comigo, pois continuarei aqui. Não direi adeus.

Inspirando, expirando. Respirando, até o fim... Até o fim.

São Paulo


- Mas por quê São Paulo?

- Eles precisam de mim lá. É uma ótima oportunidade, não posso perder. – Disse ele se levantando da cama e olhando para o chão desesperadamente atrás da camisa. Ela aponta para o pedaço de pano branco jogado a centímetros de distância.

- São Paulo é longe de mim. – Disse ela de cabeça baixa num tom infantil.

Depois de vestidos, ninguém fala mais palavra alguma. Depois de tanta discussão, o silêncio era a escolha mais sensata. Há pessoas que negam a sensatez. João não era desses. Racional, matemático, pessoa pé no chão, normal, João era como todo mundo. Marina era vegetariana e tinha tatuado no braço uma clave de Sol. Ela era só coração e presente, mas egocêntrica demais para confessar que sentiria falta.

- O táxi chegou. – Ela disse pegando uma das malas no chão da sala. Ele tirou da mão dela e carregou tudo sozinho para o táxi.

O caro amarelo parado na frente do prédio, esperando João embora. E Marina que não teve coragem de olhar para ele no elevador. No táxi, a única palavra: “Aeroporto”.

Enquanto ele verificava documentos, passagem, procurava seu portão de embarque e se perguntava insistentemente se não esquecia nada, Marina sentada no banco via as pessoas passarem. Apressadas, como sempre. Fazendo planos. E a única coisa que Marina planejou até agora era chegar em casa e tomar banho. Talvez depois bebesse café e colocasse o cd do Chico para tocar. Talvez chorasse ao olhar a cama vazia e o lençol ainda amarrotado. Mas isso ela não planejava. Marina era do tipo de pessoa que não planeja, mas tinha guardada a imagem deles dois sentados no sofá com os cabelos brancos com um álbum de fotografias nas mãos. Rindo juntos. Mas isso era um plano?

- Meu vôo é daqui a quinze minutos. – Disse ele. E Marina distraída olhava um menino de cabelos loiros sentado ao lado com sua mãe tentando abrir com os dentes um pacote de biscoitos. – Escutou, Marina? Eu vou embora daqui a quinze minutos.

- E quando você volta?

- Eu não sei se eu volto, Marina. Eu já te expliquei isso.

Ela olhou para o painel com o horário dos vôos. Lembrou sem querer da festa em que se conheceram. Ela tinha acabado de voltar da Itália. Ele estava bebendo cerveja. E pensar que esse tipo de coisa começa só com uma troca de sorrisos. Um gesto tão simples. Quando olhou para ele de novo, João já estava com as malas nos braços. E com água nos olhos ela insistiu:

- Mas por quê São Paulo?

Ele não respondeu. Seguiu em direção ao portão de embarque e ela foi atrás correndo meio desengonçada, com os braços cruzados apertados, olhando para o chão. Ele beijou sua testa e disse:

- Vou sentir saudade. – Mas ela não disse mais nada. Se virou e foi andando embora.

Olhando ela de costas indo na direção contrária, João disse para si: Ela que vai me deixar, ela quer ser aquela que vai dar às costas. Olhou depois para a passagem nas mãos: São Paulo. Ele lembrou pela primeira vez daquela troca de sorrisos. Da cerveja e da menina de cabelo preto sentada no sofá na festa na casa do Fábio. Lembrou de ter sentado do seu lado e ter perguntado:

- Tudo bem?

- A Itália é linda. Vou morar lá um dia. – E lembrou de ter escutado isso milhões de vezes nesses dois meses.

- Marina! – Ela se virou – Eu fico.

- Não, João. Você tem que ir, estão te esperando em São Paulo.

- Então vai comigo, Marina. – Disse ele em um tom quase de choro, que soa a desespero engasgado.

- Quê? – Ela franziu a testa.

- Vai comigo e a gente casa.

- São Paulo é pequena pra mim, João. Achei que você já soubesse disso.

E então ela se virou e foi sim aquela a dar as costas. E não teve que ver o outro partindo. Marina deixou João e seguiu sem procurar ser entendida.