Mostrando postagens com marcador * Débora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador * Débora. Mostrar todas as postagens

Prisioneira da Canção


Me prenda.
Me abrace.
Não desfaça as amarras.
Me queira presa em teus braços.
Sou livre quando algemada em teu gosto.
Adentre sem bater.
Quero tua voz fingindo promessas de amor.
Ser teu sono, tua falta, teu engano, teu calor...
Transformar teu sonho, paisagem.
Riviver estrelas no mar do Arpoardor.
Borde em meus cabelos teus carinhos.
Grave em mim tuas palavras.
Beba em minha boca o que te mata a sede.
Intensifique as notas e aumente os tons.
Me viva em cada refrão.
Me consuma.
Me ame em cada pedaço de chão.
Mate e reviva teu peito em meus tambores.
Sou quase som quando ouço tua voz.
Sou quase poesia quando me prendo no teu beijo.
Sou quase céu quando te tenho sol.
Sou quase lua quando te tenho noite.

Me amarre em seus versos.
E não me solte em rimas.
Quero ser a melodia dos teus passos
A caminhar pelas estrelas do meu chão.
Quero ser prisioneira da tua canção.

Ausente



Quero me doar em versos...
E me dôo mais à medida que aumenta tua fome...
Quero mesmo que não reste nada de mim.
A não ser novas linhas que contem nossa história.
Se pudesse ler minhas entrelinhas...
Saberia que em cada vírgula,
Respiro um pedaço teu.
Ah, se neste teu silêncio tivesse guardado mais de mim...
Nas noites vazias, vou somando as coincidências.
Sinto que foi feito sob a medida das minhas loucuras.
Não há nada em você que eu não goste muito.
Sinto que podemos ser...
És o portador das minhas fórmulas de amor...
O tempo te guardou em mim...
E ainda que a distância persista...
Rompo as barreiras entre passado e presente...
Te tenho em meu futuro...
Futuro do pretérito perfeito!!
Pode ser que seja...
Pode ser que virá...
Mesmo que ainda esteja ausente...

Sem Sono





é pra falar de sono?

Sem Sono
Esta inquietude sem sentido
Já é tão tarde...
E o meu relógio marca o mesmo horário de ontem.
Meu corpo não comporta mais tanto sentir.

A sensação é de que escapam sentimentos tantos
Pelos meus olhos sempre abertos...
Meus pés se balançam sem calma...
Vagam dúvidas mesmas de sempre...

Aflição sem dono...
Aflição sem sono...
As estrelas do teto do quarto...
Brilham e apagam na medida que o dia chega...
Fabriquei meu céu particular...
Porque estou sempre sem sono...

A noite passa... As estrelas dormem...
A lua descansa... E meu sono...
O mesmo horário, o mesmo relógio...

Um choro seco, sem lágrimas...
Eduquei meus músculos oculares...
Sabem quando podem lacrimejar...

Dor... é de cansaço...
Espera por nada...
e eu ainda de pé...

Me deito no vago espaço da cama...
E parece grande...
Mas não acomoda este meu corpo tão carregado de coisas suas...

Conto as horas...
Conto as estrelas poucas que restam...
Conto os cantos do quarto sem léguas...
Os espaços entre nós...

Conto os nós...
Só não conto mais este meu pensar que é tanto!
Água doce, camomila, maracujá...Cafuné!!!
Algo... alguém... Calmante!!!
Sono de volta...
Sonhos de volta...

Meu corpo não comporta mais tantos anseios, tantos desejos e aflições...
Tudo e tanto... por tão pouco ou nada...

Eu quero realizações!!!

Por ora, Inveja.


Do Sol que te ilumina e te aquece...

Do céu que cobre o azul do teu dia...

Das estrelas que têm a sorte do brilho dos teus olhos...

Da Lua que te fascina em todas suas formas...

Do oxigênio que percorre o teu sangue...

Da água que molha e lava teu corpo...

Do espelho que te reflete...

Do etílico que te enlouquece...

De tudo que te mata a sede...

De tudo que te mata a fome...

De tudo que te tem por perto...

De tudo que te queima por dentro...

Do tempo que te conta...

De tudo que te faz viver...

Tudo o que quero...

Te ter inteiro, te ter completo...

Por ora, só há inveja...

Inveja de tudo que te tem...

De tudo que te toma...

De tudo que te cerca...

Inveja...


Meu Adeus sem o Teu (Te reencontro)


Quando o Sol brilhante imponente fazer nascer o dia e uma nuvem branca pairar a sombra para o seu refrescar...Saiba que meu sopro suave provocou o vento que levou a nuvem até você...


Quando a chuva suave te molhar a face e resfrescar o sorriso...
Podem ser minhas lágrimas tentando de alguma forma te tocar...
Se amanhã nascer uma criança, um sonho ou uma flor...
Estarei presente também no olhar de encanto, no teu pranto e no teu amor.
Se não estou aqui, é porque precisava partir para te amparar.
Eu cuido do teu sono...Seguro tuas mãos... E estamos juntos.
Quando o teu peito sentir o queimor da saudade,
Ou teus olhos chorarem a dor do meu adeus...
Saiba que em mim reina o desejo de te fazer sorrir...
E por isso, breve farei com que uma lembrança doce te faça suspirar.
Não pude ficar... Precisei partir...
Sem poder te amar tudo o que havia para amar.
Meu amor é maior que minha vida.
Não coube nos meus dias.
Precisava de mais espaço.
Guardo todo amor para nosso reencontro.
Quando nossas almas se entrelaçarão embaladas pelo som da eternidade.
Enquanto não nos vemos,
Enquanto não nos temos...
Não julgue, não condene, não conclue.
Também vivi momentos de dor que quase me fizeram perder a fé.
Mas existem flores azuis aqui no jardim.
Prepare-se. Não te levo. Mas te espero.
Há um laço que estreita nossos planos.
Seja na sorte ou seja na morte.
Vamos nos reencontrar.
Não há vida ou morte que me impeçam de te amar.

Questiono


Começo ou termino? Escrevo ou arrumo as malas? Resposta: - Penso!!! Sempre penso!!!

Há quinze bilhões de anos, mais ou menos, “Big Bang” (barulho) e, toda energia concentrada e densa sofreu uma grande explosão e assim criou-se o Universo, dizem os cientistas.

Já Deus, em sete dias, criou céus, terra, luz, trevas, águas, árvores frutíferas, sementes, animais (a serpente, por exemplo), Sol e Lua para separar o dia e a noite e ainda criou o homem (Adão). Depois de tanto trabalho, descansou no sétimo dia, conta Moisés no primeiro livro da Bíblia, Gênesis, escrito, segundo registros, em 1410 a.C. (antes de Cristo).

Quanto à criação do homem, a ciência diz que somos uma evolução do macaco. Mas quem criou o macaco? Se, por acaso, alguém responde que foi Deus, quem criou Deus?
A energia concentrada e densa que sofreu a explosão há quinze bilhões de anos dando origem ao Universo, quem criou? O que era o tudo antes de ser... tudo?
Quem contou para Moisés que Deus criou o Universo? Claro que é uma bela narrativa a Criação do universo. Prefiro isto à teoria do Big Bang. Muito mais romântica. Aliás, quem ensinou Moisés a escrever assim?

“Adão e Eva”, “Os Sete Pecados Capitais”, “A Arca de Noé”, entre tantas outras histórias da Bíblia, seja novo ou antigo testamento, são histórias fascinantes! E se não fosse pela linguagem rebuscada, diria que são histórias pós-modernas! A tentação, a traição, o descontrole sobre os instintos, as tragédias naturais, luxúria, avareza, inveja, gula, ira e até mesmo a condenação de saber a diferença entre o bem e o mal, são temas mais que atuais, apesar de terem sido tema do primeiro livro de toda a história da humanidade. Impressionante como os “profetas”, assim chamados todos os escritores da Bíblia, são contemporâneos à nossa realidade!

Os dilúvios, por exemplo, não são mais privilégios só de Noé. É só ler ou ver o noticiário de hoje. A diferença, talvez, pode ser a Arca. Ou melhor, a construção dela. Porque, dificilmente encontraríamos nos dias atuais um homem como Noé. Os heróis de hoje demandam de pouca fé. São escassos!!! Poucos e raros, geralmente são tão ocupados em matar a fome que não resta tempo para pensar na falta dos sentimentos que rompem os laços do mundo. Tem estômago gritando mais alto que a dor de quem perdeu a fé. Assim fica difícil construir uma arca a espera de um dilúvio que nem sabe se virá.

Talvez os chineses!!! Mas só porque são prevenidos. Eles constroem abrigos para se safarem dos terremotos. Mas a orientação vem da ciência e não de previsões místicas. Noé não contava com a previsão do tempo e, ainda assim, construiu sua arca. Será esta grande diferença dos tempos? A decadência dos sentimentos?

Sobram teorias e falta fé. Fé em qualquer coisa que nos é abstrato. Não digo fé em Deus. Digo fé em (repito), “qualquer coisa que seja abstrato”: amor, respeito, generosidade, companheirismo, amizade... E a própria fé! É preciso ter fé na nossa fé. “Minha fé em pó, solúvel, minha fé em pó!” É preciso acreditar em nós e nos nossos sentimentos que a ciência não explica, mas, mudam o mundo. Mesmo que seja o seu mundo. Mesmo que seja o meu. Mesmo que seja um mundo só. Mas os sentimentos mudam o mundo.
E não sou arrogante a ponto de achar que esta é a grande solução para o Universo. Eu ainda nem sei como ele foi criado!!! Então, como arriscar uma solução?


Big Bang, Criação Divina, Antigo e Novo Testamento, antes e depois de Cristo? Qual o princípio de tudo? Será o fim? Como, se ainda nem sabemos do começo?

É... Vou viajar amanhã. Estou fazendo as malas. E acabo de chegar à conclusão de que preciso de um baú sem fundo para levar tantos questionamentos sem respostas.
Deixo nestas linhas mal escritas um pouco do barulho que tem minha cabeça.


Danço

Descompassada.
Fora do ritmo.
Desengonçada.

Pés, pernas, corpo e alma...
Embalados pelo som leviano da solidão.

Não há público.
Não há palco.
Só há ilusão.

Um dia já foi estrela.
Com saudades de si mesma, fechou o livro que lia e pegou o caderno para escrever o seu. Esboçou suas primeiras linhas de recordação:

No palco solitário de tábuas corridas, já um tanto gastas e velhas, a cortina vermelha mostrava as pontas dos pés de quem ali, no mesmo lugar, escreveu histórias bordadas pelo mais doce calor de aplausos e admiração. Eram meus pés.

A cortina cobria meu rosto vermelho que chorava a dor do meu último espetáculo. Foram anos dançando no mesmo lugar. E a cada dia, a cada espetáculo, a cada dança e a cada passo, me vinha uma sensação diferente.

Me alimentava dos olhos brilhantes e entusiasmados que assistiam aos meus movimentos, às vezes lento, às vezes sereno e sempre agressivo na forma de conduzir os saltos, que era a maneira que gostaria de conduzir minha vida.

A dança, quando cheia de sentimento e entrega, provoca sonhos muito além da imaginação. As almas expectadoras, nem sempre calmas, esperam pelo ápice da fartura desta mistura de movimentos e sons. Aguardam pela satisfação entusiasmada de... "sou mais que um corpo sem estação".

Porque, na verdade, todos nós desejamos nos sentir mais do que somos. Todos nós desejamos sentir mais do que sentimos. E por fim, somos menos do que tudo que poderíamos ser.

Me levanto e, ainda no palco cheio de mim... cheio das minhas lembranças... Saio a andar e não escondo mais meu rosto vermelho. Abro as cortinas e meus olhos ainda choram. Lamento a falta de público. Porque, de tudo que apresentei ali, para tudo que senti havia alguém a registrar.

É difícil não ter quem registre uma despedida.
Não há ninguém para ver minha solidão. Não ouço aplausos. Não tenho o brilho dos olhos de admiração. Já não há mais público.

De tudo, tenho as boas lembranças e, ainda, a dança. Mesmo descompassada... mesmo desajeitada... Sem ensaios prévios, me entrego ao compasso do meu coração.

Não desço do palco. Não saio de cena.
Danço enquanto restar a última gota da minha emoção.

Talvez me falte

As noites de inverno no Sul de Minas são um tanto frias.

Mesmo que o Sol venha agraciar as tardes que adormecem vermelhas nos braços da noite prateada de estrelas...

Parece faltar algo... Parece faltar alguém...
Talvez alguém que divida comigo a graça do amanhecer sem os travesseiros na cama e o corpo descoberto pelo calor que só existe dentro de mim....

As manhãs de inverno no Sul de Minas também são frias...

Falta alguém que eu possa declamar meus versos enquanto me desfaço em chamas que aquecem meu coração.
Falta alguém para ver filmes e comer pipocas...

Para ouvir músicas e ter de quem lembrar com o gostoso aperto de saudade no peito.

Falta uma ligação no meio da noite pra dizer que estava a sonhar com o nosso amor.

Falta um tom de voz mais grave no meu ouvido a instigar meus desejos secretos.

Falta um abraço, às vezes amigo, quase sempre entregue, mas... Sempre disposto.
Falta um beijo para silenciar as minhas muitas palavras sem nexo nas horas de agonia e aflição.

Me falta uma mão...
Uma mão junto à minha...

Andar de mãos dadas pelos cantos deste mundo, sem leste, sem léguas... Para sentir que há, de verdade, alguém ao meu lado. E sentir que eu estou, de verdade, ao lado de alguém.
Talvez me falte um amor. Talvez me falte... namorado.

Ser arte


E eu me expresso...
Com dores, com amores, sem rumores...
Sem dores, sem amores, sem rumores...
Eu me expresso...

E arte me faz poetisa...
E a poesia me faz arte...
Faço de mim música...
Faço de mim poesia...

As palavras, sem medidas, me transformam em texto.
Interpreto, sou interpretada...
Analiso, sou analisada.
Mas, me expresso...
Faço da folha quase um impresso de mim mesma.

Eu falo...
Eu canto...
Às vezes, encanto...
Mas ouso a ser arte...
Pretensiosamente, me faço!

Entorpeço, embebedo e me alivio de mim.
A palavras são tecidas como panos de fundo do que sinto...
Os sentimentos, servem como base do que crio...
Do que às vezes minto...
E as palavras decoram as paredes do meu quarto, nunca vazio.

Visão, audição, paladar, olfato, tato...
Sentidos aguçados...
Sentidos despertados...
Arte que me invade, me enlouquece, me arrasta, me liberta...

Me faça qualquer coisa...
Me faça arte...
Arte de ser alguma coisa...

Vivo... e me faço viva em você...
Porque sou parte...
Parte do mundo... parte da arte.

Mundo Música


Mundo Música


O meu mundo... Ou eu mesma... Meu mundo.


Vivendo em sete notas, sem sete vidas... Sem ré, nem dó...
Cantando minha história em sol maior...

Entre agudos e graves de emoções sem compasso...
Em tempos sem métricas...


Ouvindo dos ventos os sons invisíveis que levam as flores dançarem como se ouvissem uma orquestra de alegria...
Gosto de dançar com as flores... Danças que às vezes me embalam em serenos movimentos... Lentos e sem pressa...


E não dispenso o calor dos tambores que rufam gigantes no pulsar do meu peito.

Isto me faz sambar... Este pulsar acelerado, ritmo desengonçado...

Que me faz sorrir...Às vezes chorar... Tirar os sapatos...

Porém, jamais descansar...


E quando o meu ritmo é manso... Quando danço lento.

Danço só... Esperando um par...

E nestas horas, me sinto um violão sem cordas...

Um piano sem pedais...

Uma flauta sem ar...

E sinto que parece uma nota em mim, faltar...


Sou melodia composta de pura inspiração.

Nenhum acorde é planejado ou premeditado...

As notas soam conforme soam os sentimentos em meu coração...


Há sempre um som...

Não há silêncio...

Meu mundo é música o tempo todo.

Meu tempo é todo música.

É música todo o meu silêncio.


Faço dos meus dias canções inéditas...

Em tardes vazias, caio no gosto popular...

Em noites sem luar...Sou música erudita...

Acordes que soam claros, porém, sem uma perfeita interpretação.
Faço-me entender como uma trova musicada...

Rimas em sinas descompassadas...

Encontradas pelas esquinas...

Vários ritmos e estilos...

Sem moderação nenhuma.

Sem maestros ou regentes...
Música... Mundo... Ou eu mesma.
O tempo pode me apagar...

E por isso já pedi ao vento que se encarregue do meu som se propagar...

Saindo do poço


Andei pensando na culpa, e na desculpa.
Pensando nas dores e nos desamores...
Me culpo...
Por pensar e acreditar que é você minha salvação.

Estou no fundo do poço,
Olho para cima e vejo mãos...
Querem me socorrer...
Mas entre tantas, só reconheço a sua.
São só as suas que eu quero ver.
Mas você vira as costas.
Quer ficar só.
Sim, se preocupa comigo ali no poço...
Mas nada pode fazer.
Suas mãos não querem alcançar as minhas.

Não quer laços ou "nós".
Enquanto as minhas, só pretendem alcançar as suas...
E eu não me canso.
E de cair tanto,
Minhas feridas já não doem mais.
E por tanto esperar,
As outras mãos estendidas outrora,
Se cansaram, foram embora.
E não há mais em quem me segurar.
Agora sou eu.
Eu e minha solidão no fundo do poço.

Eu e minhas feridas ainda abertas,
E já tão anestesiadas pela própria dor.
Eu e minhas garras,
Que saem de não sei onde...
Devem sair das entranhas da saudade.
Ou da frieza do abandono.
E eu escalo o poço...
Subo, subo e subo...
Saio de lá...
E me ponho de pé.

E a vontade de viver e ver o sol é tantaque não reconheço o cansaço.
Estou salva, agora.

Com unhas desfeitas, sem gloss, sem rímel.
Mas estou de pé e meus olhos brilham...

Encontrei algo no fundo do poço.
E trouxe comigo para ver o sol.
Para estar comigo sem se ocultar:
A força que antes eu pensava vir de você.
Não me avisou que ela estava o tempo todo em mim.

Logo você que sempre soube de tudo.
Passei tanto tempo no escuro e no frio.
Que desfiz as amarras dos meus sonhos.
Enquanto nada tinha a fazer senão sentir o frio...
E nada ver no escuro, a não ser a sua imagem que eu projetava como luz.

Os sonhos agora podem ultrapassar as barreiras que cercavam você e eu.
Destruí as grades que prendiam minha força,
Meus desejos e minha felicidade.

E o que antes eu pensava encontrar só em você,
Encontro agora nas minhas unhas sujas,
Nos meus cabelos desfeitos, e até nas dores musculares causadas no escalar do poço.

Sem as suas mãos, confirmei que eu consigo sozinha.
E afirmei que elas não mais estão dispostas às minhas.
E ainda assim,
Seguirei sorrindo, feliz...

Disposta a encontrar o que eu denominei felicidade!

Bob's


Bob’s
Eles se viram. Se olharam. E agora confirmam: estão certos de que já se viram antes.Seus olhares penetram-se. E no compasso acelerado do desejo, ambos notam algo em comum: são anjos controlando seus demônios. Insistem e se perdem pela carne, pelo prazer, pelo descontrole dilacerado da respiração ofegante de quando se aproximam.
Olhos nos olhos. Mais próximos... Se cumprimentam sem palavras. Aproximam-se mais, sentem certo calor. Deste, que parece iniciar de baixo pra cima e de dentro pra fora, fazendo com que os poros se enlouqueçam, abrindo e fechando sem ordem. Sentem um frio na barriga. Desejo.

A mão dela se esbarrou na dele, como quem não queria que esbarrasse. Intencionava mais. Queria tocar além da mão. Claro que ele nota. Ele, mais discreto, corresponde só com o olhar. Só que agora o tom muda. Ele tem fome. Ela tem fome. Os dois têm desejos.Olhos, mãos, pele, corpo, boca, língua, suor... Respiração.

Se desejam. Se imaginam. Se sentem. Ela o seduz. Femininamente traiçoeira, o puxa pelas mãos.
Vai ser ali mesmo. No andar de cima, no banheiro feminino. O tempo é curto, ela se encarrega de tudo. O ordena só com olhares e ele a obedece como quem entende todos os seus sinais.
A voz sussurra quente em seu ouvido... Ela o deseja. Passa a mão pela suas costas, usa suas unhas, o toca com sua boca quente e molhada. Vai até o pescoço que tem cheiro e suor de quem a deseja ainda mais.
Sorrateiramente, caminha com suas mãos até as mãos dele. Estão suadas. Parece um menino com medo. Ela encarrega-se de passar com as mãos dele no seu corpo. Tudo é ardente. Delírios e sussurros de desejo. Pele, boca, poros... é tudo quente. Tudo.
Acelera o ritmo. Boca com boca, as línguas dançando valsa em seus corpos.Pele branca, alva, quase inocente... Misturada a cor morena e quente de quase pecado. Temperatura nas alturas. Aceleram ainda mais o ritmo. Gemidos e sussurros de prazer até que... Batem na porta. Era no banheiro feminino. Envolvida, destemida e completamente entregue... Ela silencia tudo em um beijo, quase tímido.

Estão molhados de prazer. Mordendo os lábios, eles se olham. Batem mais uma vez na porta. Calmamente ela se arruma, se enfeita, enquanto ele, pasmo, assiste a tudo com o coração acelerado. Não batem mais na porta. Ela sai primeiro. Eles já se falavam tanto pelo olhar que ele entendeu também que poderia sair.

Saem. Estão de mãos dadas. Seus corpos aprenderam a se falar antes que suas vozes se proclamassem.
Foi a primeira vez e, com certeza, não seria a última.

Faço só. Faço Sol.


Quando acaba o encanto e o entusiasmo de "nós", entra a singularidade solitária do "eu".


E se não fosse esta vontade inquieta e gulosa de ser feliz, já teria entregue tudo nos braços desta que me acompanha dias a fio, sem se cansar de mim, sem me abandonar... Esta solidão.

Nossos erros foram vitais e nosso livro não chegou ao fim. Fechamos a página quando líamos a última frase do capítulo cinco. O último ponto final que vi, pontuava a palavra sozinha.

Nossa música pausou. E no silêncio que agora há, percebo que já estávamos sós, com nós e eram muitos nós!

Talvez a solidão pague a conta desta vontade de terminar o livro. E talvez, ela te faça encontrar suas asas. Juntei todas as penas que sentia de mim e bati minhas asas.

Trago a solidão agarrada neste meu coração que cabe tanto sentir em vão.

E eu quero o Sol. Vôo e vôo alto.

Voando só, batendo minhas asas.

Tudo que hoje desejo, faço só.

E se não ver a luz e não sentir o calor, eu faço o Sol.



Pobreza ou Nobreza


Acho que nunca estive perto da pobreza. Concluí isto quando comecei a procurar uma imagem para postar no blog, sem antes mesmo ter escrito algum texto.

A minha idéia inicial para o texto sobre a pobreza era traçar um paralelo entre a pobreza espiritual e a pobreza material e, de certa forma, mostrar que são mais pobres os que não têm grandeza espiritual...
Mas, ao me deparar com esta imagem que escolhi, desisti. Porque, também concluí, que eu não tenho nenhuma grandeza de espírito para compreender esta desigualdade.

Já reclamei de fome sem nunca a ter sentido. E vivo insatisfeita com minhas conquistas, com meus sapatos que nunca acho suficientes para ir às festas, às reuniões, ao trabalho, aos almoços e jantares. Almoços e jantares que, certamente, as migalhas da minha mesa, seria farta ceia no estômago vazio deste menino.

Sinto-me envergonhada. Sinto-me impotente.

A imagem mostra os seus pés. Seus nobres sapatos foram produzidos com garrafas plásticas e tecidos velhos. São seus pés... Tão fixos no chão, como os pés de quem não quer voar. Não pode voar.

Meus olhos já lacrimejando, choram as lágrimas de quem se sente culpada por carregar este meu sorriso sem vergonha de quem nunca notou a sua dor. Enxergo seu rosto cansado, com fome de pão, com fome de atenção, com fome de amor. Seus olhos me imploram um pouquinho de mim, da minha compaixão e o mundo que eu sempre tive nas mãos, desabou.

Nobreza é andar de pés no chão.

Voar rasteiro a terra sem almejar o céu como a última estação.
Ser nobre é ter olhar doce enquanto o organismo está em guerra pela falta de pão.
E talvez, pobreza de espírito, seja julgar-se bom, nobre e cheio de compaixão quando na verdade nem se sabe o que é, de verdade, triste e ruim.