
Em nossa época, vende-se a ilusão de que é possível controlar com pílulas sentimentos tão intangíveis como a melancolia ou a tristeza, prender a juventude à força de bisturis e cosméticos, prescindir da tradição e construir-se a si mesmo sem dever nada a ninguém.
A morte nos lembra que há algo de errado nesta equação.
Podemos transformar o corpo, mas não evitamos que ele morra.
Podemos decidir entre marcas na prateleira, mas não decidimos deixar de morrer.
Podemos fazer nossas próprias regras, mas entre elas não está viver para sempre.
O ser humano, o ser ‘pensante’ tenta controlar o universo, sempre evoluindo em suas descobertas, mas a morte nos confronta com a questão fundamento do nosso limite.
Ela é o limite, barreira intransponível.
Esse desconhecido gera inúmeras questões e infinitas teses.
Alçamos vôos inacreditáveis, mas ainda não conseguimos mergulhar nesse mar de incertezas.
O tempo da morte não corresponde ao nosso, em alguns casos conseguimos entender esse cronograma peculiar, mas este calendário não contém ano, meses, semanas e dias...
Só sabemos que existe um início e um fim.